<-- Fiquei inspirada. :)
O trajeto até lá foi um pouco tenso porque eu estava sozinha e àquela hora não tinha mais ninguém nas ruas, a não ser bêbados, travestis, traficantes, mendigos e outros seres não identificados. O cheiro de urina era insuportável e um bêbado, que me fez caminhar pela rua para dar espaço para o seu zigue-zague tomando a calçada toda, conseguiu cair exatamente na sarjeta, logo depois de passar por mim. Ele caiu reto, como uma arvore derrubada, e foi empurrado por outras pessoas para fora da água.
Já na Estação, fiquei muito tentada a tirar algumas fotos escondida, mas desisti. Não é permitido fotografar enm filmar as obras. Gosto muito do trabalho do Warhol e foi emocionante poder olhar os quadros de perto e acompanhar as pinceladas dele, a textura do linho, os pequenos defeitos do stêncil. O papel de parede azul com vacas amarelas me encantou, quero para a minha casa!
Achei que o número de peças em exibição é pequeno comparado com o volume da obra dele e com a vontade que eu estava de ver mais.São dois meios-andares. Em cima estão os quadros: Mao, Jackie, Marilyn, as sopas Campbell´s, as notas de dólar e uma série em que ele trata de violência e morte, com fotos de criminosos, acidentes, suicídios e execuções. Também estão algumas polaroids que ele tirava dos famosos para fazer os quadros de stêncil e de si mesmo, travestido. No andar de baixo estão videos experimentais, que foram a grande paixão de Warhol na segunda metade da sua vida, e uma foto do Pelé junto com uma citação onde Warhol comenta a variadade de cor da pele dos brasileiros.
Achei interessante a reação das pessoas a um vídeo chamado Blow Job, que mostra apenas o rosto de um jovem modelo enquanto ele recebe sexo oral. Os expectadores variavam entre raiva e desconforto.
Em uma sequência de quadros sobre o assassinato do JFK fiquei impressionada com a combinação de cores. A mistura do néon com marrom, com prata em uma sequência que, teoricamente não devia "combinar", mas que cria um resultado harmonioso.
Se eu tiver tempo, pretendo voltar à exposição, mesmo sentindo falta de algumas obras que eu adoraria ter visto, como os Elvis, as garrafas de Coca-Cola e a banana.
“Foi uma daquelas tardes em que pedi a dez ou 15 pessoas que me dessem ideias, até que uma amiga minha me fez a pergunta certa: ‘Qual é a coisa de que você gosta mais?’ Foi, assim, que comecei a pintar dinheiro."
“O que este país tem de bom, é que a América estabeleceu uma tradição, segundo a qual os consumidores mais afortunados compram essencialmente as mesmas coisas que os pobres. Quando se está vendo televisão, bebe-se Coca-Cola; sabe-se que o presidente bebe Coke, Liz Taylor bebe Coke e, então, a pessoa pensa consigo mesmo que também pode beber Coke. Nem todo o dinheiro do mundo poderia comprar uma Coca-Cola melhor do que a que o mendigo está bebendo na esquina.” Andy Warhol
Estação Pinacoteca (largo General Osório, 66, Centro, SP, tel.11 3335-4990);
R$ 3 a R$ 6 (sábado, grátis)
das 10 até as 18h, fechado na segunda-feira
até o dia 23 de maio







